O lugar que defendemos
Bem-vinda/o a Covas do Barroso, uma freguesia aninhada no vale do rio Covas. Aqui, onde as aldeias de Covas, Romainho e Muro se abrigam nas Serras, o quotidiano é marcado por um profundo diálogo com a terra. Este é um convite para descobrir um território vivo, que é Património Agrícola Mundial, e onde a paisagem e as pessoas contam uma história de resistência, criatividade, e de uma inspiradora ligação à natureza.
Os lameiros verdejantes sustentam a pecuária e são o resultado do exigente e desafiante trabalho humano em colaboração com a Natureza. O microclima singular de Covas do Barroso, que equilibra o frio das serras de Barroso com ares mais amenos dos vales minhotos, permite uma notável diversidade de produtos — da fruta ao azeite, do vinho ao milho. Cada colheita representa esforço e conhecimento, e um encontro de técnicas ancestrais e modernas que permitem ler e cooperar com a terra.

O quotidiano é ainda marcado por um forte espírito comunitário que se reinventa para responder aos desafios atuais. A distância dos grandes centros reforçou durante séculos a importância da entreajuda e da gestão coletiva da terra. As terras geridas comunitariamente, os “baldios”, continuam a ser fundamentais para quem aqui vive.
Ao percorrer as aldeias, encontramos também um património edificado único de elevada relevância cultural para a região e para o país. A capela da Nossa Senhora da Saúde, a Igreja Românica de Santa Maria e o Cruzeiro são marcos de uma História comum, escrita e reescrita ao longo dos séculos.
São também património singular das nossas aldeias os engenhosos sistemas de irrigação, ainda hoje geridos de acordo com práticas ancestrais, e que distribuem a água de forma eficiente e justa. Como o sangue que corre nas veias da terra, o som da água que percorre os canais de pedra é uma presença constante até nos meses quentes e secos do Verão.

Este cenário que aqui retratamos está longe de ser idílico. Tal como outras aldeias do interior do país, enfrentamos o grande desafio do envelhecimento e da perda de população. Mas, para quem cá vive, não há lugar no mundo que se aproxima mais à ideia de um paraíso na Terra.
Toda a beleza, cooperação e sabedoria sentidas em cada caminhada pelas aldeias leva-nos a pensar que não é possível construir o amanhã sem valorizar e proteger o presente. Apesar dos desafios, olhar para Covas do Barroso é vislumbrar um futuro possível e sustentável. Um futuro que valoriza os ritmos e a identidade locais, onde a colaboração com a Natureza perdura no tempo, brindando uma experiência autêntica, pedagógica e de conexão com a terra a quem nos visita.

Uma experiência também ela marcada pelo desfrute de produtos locais de excelência como mel de urze e a carne barrosã, estrelas de uma gastronomia que nos deixa com água na boca. É neste equilíbrio entre tradição e inovação, e na defesa intransigente da cooperação entre pessoas e Natureza, que encontramos caminhos para dinamizar a economia local, continuar a habitar o território e fixar as novas gerações. E para recriar dia a dia um lugar onde vale a pena ficar e se quer regressar, construindo um legado de resistência, abundância e prosperidade.
